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Gente que faz - Parcerias em prol da carne suína
Parcerias em prol da carne suína

Um dos assuntos mais comentados no mundo de hoje é a responsabilidade ambiental. Nos últimos anos, esse assunto entrou definitivamente na pauta das discussões sobre o futuro do planeta. Pode-se dizer que atualmente existe uma maneira diferente de pensar por boa parte da população, onde o desperdício e a uso indiscriminado dos recursos naturais são substituídos pela cooperação e por uma exigência de melhor qualidade de vida.

Felizmente, de uns anos para cá, as indústrias, organizações e os governos estão buscando alternativas e tecnologias sustentáveis, a fim de reduzir os impactos ambientais causados pela produção e o consumo humano. Muitas empresas vêem implantando mecanismos sustentáveis na sua produção, sendo que em alguns casos é possível até gerar recursos para a atividade que a empresa desempenha. Na coluna Gente que Faz de hoje, vamos mostrar como isso funciona na suinocultura industrial, usando como exemplo o Grupo Lucion - uma empresa com 4 granjas produtoras de suínos (uma delas como Granja de Reprodutores Suínos Certificada - GRSC) que realiza atividades sustentáveis, gerando recursos para a atividade.

Acompanhe a seguir os detalhes da entrevista com o Dr. Jonas Rafael Weber Steffanello, médico veterinário e coordenador técnico e comercial do Grupo Lucion.

Infosuínos: Conte-nos um pouco sobre a história do Gupo Lucion.

Jonas Steffanello: A Família Lucion está na atividade de suinocultura há mais de 40 anos, e tudo começou em Santa Catarina. Com a expansão dos negócios, a Família Lucion mudou-se para o Mato Grosso, no município de Vera, tendo por objetivo buscar um custo de produção menos oneroso e, por conseguinte, obter melhor uma maior rentabilidade em suas atividades. O Grupo iniciou os empreendimentos com 900 matrizes na Fazenda Lucion no município de Vera-MT e hoje conta com um plantel de 10.500 matrizes em ciclo completo. Desde sua vinda para o Mato Grosso, sempre calçou seu crescimento na suinocultura independente. Em julho/11 iniciou as atividades do Frigorífico Nutribrás, instalado no município de Sorriso-MT a 360 Km da Capital Cuiabá-MT, e com capacidade inicial para abater 1.500 suínos/dia e capacidade final de 3.000 suínos/dia. Esta indústria surge para dar fôlego ao crescimento da suinocultura independente da região e concretiza um antigo sonho da Família Lucion - o de viabilizar a suinocultura independente e verticalizar a produção.

Infosuinos: O Grupo Lucion trabalha de forma integrada, conciliando a atividade agrícola com a pecuária. Existem vantagens neste formato? Quais?

Steffanello: Sim, nas propriedades do Grupo são desenvolvidas as atividades de agricultura e suinocultura de forma integrada, ou seja, a agricultura produz milho e soja para compor as rações dos suínos que por sua vez é transformada em carne. Na minha visão de profissional do agronegócio, a suinocultura é a atividade que melhor se enquadra na produção integrada de grãos e carne.

Infosuínos: Fale-nos sobre as tecnologias sustentáveis utilizadas pelas granjas e qual suas implicações nas questões ambientais.

Steffanello: As granjas próprias do Grupo Lucion estão providas de biodigestores, considerado a melhor e mais atual tecnologia para manejo dos dejetos, o que proporciona ideal degradação dos sólidos resultando em dois produtos, biogás e biofertilizante. Os biodigestores possibilitam a geração de receitas provenientes do dejeto da atividade, e promove a propriedade rural a uma empresa transformadora de cereais em carne e produtora de energia elétrica. Num perfeito ciclo auto-sustentável, as atividades se completam, melhorando a qualidade do solo, diminuindo a poluição do ar devido ao uso do biocombustível e produzindo energia elétrica, que é imprescindível para alavancar o crescimento do país e tem um custo alto para ser gerada. As vantagens são muitas, pois se não agredimos o meio ambiente ele nos devolve terras férteis, plantas saudáveis e água de boa qualidade, proporcionando satisfação aos colaboradores inseridos no processo produtivo da agricultura e da suinocultura, e isso resulta em redução no custo de produção.

Infosuínos: Pudemos perceber que a sustentabilidade é uma palavra chave dentro das atividades do grupo. Porque adotaram este posicionamento? Ele se traduz em vantagens competitivas?

Steffanello: A sustentabilidade traz vantagens em qualquer ciclo produtivo, pois possibilita à empresa uma certa independência para produzir, uma vez que um ou mais insumos necessários ao processo de produção são gerados dentro do próprio sistema, e isso adquire especial importância, por exemplo, nos momentos de crise econômica. Acredito que o mercado ainda vai evoluir muito sobre a remuneração de produtos provenientes de empresas que investem em sustentabilidade. No momento está em vigor o Tratado de Kyoto que permite aos suinocultores que investiram em biodigestores emitirem os chamados créditos de Carbono*. Esses créditos são recursos que podem ser comercializados por empresas que reduziram a emissão de poluentes, sendo adquiridos por outras empresas que ainda poluem. Isso auxilia os empreendimentos 'limpos' a financiarem uma parte dos investimentos necessários para a produção. Tenho notícias inclusive, de suinocultores do Estado do Paraná que vendem energia elétrica para a empresa de energia local, gerando assim renda adicional para a propriedade, e o que é mais importante, renda gerada em um processo que contribui para a redução do impacto ambiental total da atividade. Atualmente nosso produto (carne suína) não está recebendo um adicional de preço nesse processo, mas em curto prazo acredito em mercados específicos que vão valorizar a sustentabilidade na produção de carne suína dando oportunidade aos produtores investirem na modalidade gerando postos de trabalho e renda.

Infosuínos: Conte-nos um pouco sobre a iniciativa pioneira de comercializar créditos de carbono. Ela já gera recursos significativos para o grupo?

Steffanello:Os recursos provenientes dos créditos de carbono são significativos com certeza, pois a fatia que chega ao suinocultor é uma parte de três, onde empresas que financiam e administram os biodigestores e empresas certificadoras também participam das receitas. Sempre seguimos todas as regras desde a implantação dos biodigestores, a certificação e agora a manutenção dos dados e a garantia de funcionamento, somos auditados periodicamente e nunca tivemos problemas, pois o sistema foi bem implantado e funciona muito bem. Vale ressaltar que nossa preocupação principal no início era resolver o problema do tratamento dos dejetos e trabalhar no aproveitamento dos produtos Biofertilizante e Biogás.

O mercado de créditos de carbono é promissor, mas ainda é cheio de incertezas. Até hoje não temos a renovação garantida do protocolo de Kyoto, e todo o sistema se baseia nas regras estipuladas por este acordo. Se o comércio dos créditos se mantiver em funcionamento, terá um grande potencial para ser um incremento de renda em um sistema já viabilizado, como é o caso do Grupo Lucion.

Infosuínos: A melhoria da educação é um desafio de todo o Brasil. Como o treinamento e a capacitação da mão de obra podem ajudar no desenvolvimento da suinocultura nacional? O grupo possui alguma política neste sentido?

Steffanello: Temos um planejamento que contempla a melhoria da qualidade nas nossas atividades, e isso passa por investir nas pessoas envolvidas. Alguns fornecedores/parceiros fazem parte deste cronograma, como é o caso da Merial, que disponibiliza profissionais especializados em determinados assuntos ou setores de acordo com a nossa necessidade, para contribuir com o crescimento da nossa equipe e com os resultados da empresa. Quanto maior o nível educacional do país e maior o número de pessoas atraídas pela busca do conhecimento, mais competitivos seremos. E em relação ao nosso mercado, temos pessoas preocupadas com a saúde, procurando se alimentar melhor, buscando informações sobre a carne suína, conhecendo suas propriedades e consumindo em maior quantidade.

Infosuínos: Um pensamento sobre a atividade...

Steffanello: A suinocultura é uma atividade multidisciplinar e ao mesmo tempo especializada, por isso, toda cadeia de produção da carne suína deve trabalhar em equipe para alavancar o crescimento com sustentabilidade e bons resultados.


*Para saber mais sobre os Créditos de Carbono:

www.institutocarbonobrasil.org.br/#mercado_de_carbono


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