Transmissão
Os herbívoros podem contrair a raiva por mordedura de um cão infectado. No entanto, a raiva em bovinos e eqüinos é normalmente transmitida através da mordedura de morcegos hematófagos. No Brasil, há diversas espécies de morcegos que se alimentam de sangue, sendo a mais importante o Desmodus rotundus.
Os morcegos hematófagos atuam como portadores, reservatórios e transmissores de raiva por vários meses, podendo ou não desenvolver a doença. Além dos morcegos, outros animais silvestres, como raposas, podem atuar como portadores ou reservatórios do vírus.
Para a transmissão da raiva, é necessário o contato de saliva contendo o vírus com uma solução de continuidade (ferida) na pele do animal agredido, pois o vírus da raiva não atravessa a pele íntegra.
A saliva dos animais transmissores pode estar infectada vários dias antes do aparecimento dos primeiros sintomas de raiva. É por essa razão que a legislação brasileira (Art. 29 da Portaria no. 126/76 de 18 de março de 1976) determina que: “Quando um canino ou outro animal suspeito de raiva haja mordido, arranhado ou lambido uma pessoa ou outro animal, o agressor deve ser capturado, mantido isolado e observado durante um período não menor de 10 (dez) dias, e em caso de morte deverá ser encaminhado ao laboratório para diagnóstico.”
Se uma pessoa for mordida por um animal suspeito de raiva, deve-se:
- Lavar imediatamente a ferida durante vários minutos com água e sabão, água e detergente ou simplesmente água.
- Desinfetar a ferida com um anti-séptico (álcool a 70o, tintura de iodo ou composto quaternário de amônio).
- Capturar o animal suspeito de raiva e mantê-lo em isolamento durante dez dias, sob vigilância de um médico-veterinário.
- Encaminhar a pessoa mordida a um médico, para tratamento anti-rábico.
Sintomas
O período de incubação depende de vários fatores: a espécie animal, a amostra do vírus, o local da mordedura, a quantidade de vírus inoculada e a idade do animal. De modo geral, quanto mais próxima do sistema nervoso central e mais profunda a mordedura, tanto mais rápido será o aparecimento dos sintomas.
Nos bovinos, o período de incubação varia normalmente entre 3 e 15 semanas; e nos eqüinos, entre 3 e 6 semanas.
Segundo Pastoret (1985), quando um animal é vacinado durante o período de incubação da raiva, uma dose única não impede o aparecimento da doença e pode até reduzir o tempo normal de incubação. Trata-se do fenômeno da “morte precoce”, descrito por vários pesquisadores. Para que a vacinação proteja contra a doença, é necessário que o animal seja vacinado e consiga produzir anticorpos antes da inoculação do vírus da raiva.
Animais infectados pelo vírus da raiva podem apresentar diversas formas clínicas da doença. A raiva furiosa é a forma mais comum em cães e gatos e caracteriza-se por alterações de comportamento e agressividade. Entre bovinos e eqüinos, a forma clínica mais comum é a raiva paralítica. No entanto, no mesmo animal podem ocorrer as duas formas clínicas.
Os primeiros sintomas apresentados pelos bovinos infectados são: perda de apetite, inquietação e mudança de hábitos (procuram esconder-se, mantêm-se imóveis ou deitados em um só local). Quando estimulados, os animais apresentam dificuldade em se deslocar, devido à paralisia dos membros posteriores. O andar cambaleante agrava-se à medida que a doença evolui. Devido à paralisia da mandíbula e dificuldade de deglutição, os animais podem apresentar salivação intensa, aparentando estarem engasgados. Observam-se tremores musculares, diminuição dos movimentos ruminais e altera-se o mugido. A defecação torna-se difícil e as fezes apresentam-se secas, escuras, cobertas de muco e sangue. Os bovinos podem ficar ocasionalmente agressivos. Na fase final, o animal permanece em decúbito ventral ou lateral, não consegue levantar-se, apresenta contrações musculares, opistótono e movimentos de pedalagem. Os bovinos geralmente morrem entre 4 e 6 dias após o início dos sintomas.
Em eqüinos e ovinos, a sintomatologia é semelhante à observada nos bovinos.
Diagnóstico
Qualquer doença que cause encefalite pode provocar sintomas semelhantes aos da raiva. Nos bovinos, a raiva pode confundir-se com botulismo, enterotoxemia, babesiose, intoxicações e outras doenças com sintomatologia nervosa. Nos eqüinos, deve-se fazer o diagnóstico diferencial em relação à encefalomielite, rinopneumonite e intoxicações.
Assim, o diagnóstico clínico é apenas sugestivo, devendo ser confirmado em laboratório, principalmente quando houver contato de pessoas com o animal suspeito. Considerando-se o perigo de contaminação do operador e que a eficiência dos métodos de diagnóstico depende das condições de conservação da amostra, a coleta desse material deve ser feita por médico-veterinário.
Em geral, o veterinário encaminha para o laboratório a cabeça do animal ou o encéfalo, em recipiente hermeticamente fechado, sob refrigeração. Quando o período entre a morte e a chegada do material ao laboratório for superior a 48 horas, o material coletado deve ser conservado em solução fisiológica estéril com 50% de glicerina.
Em laboratório, as técnicas mais utilizadas são:
- Imunofluorescência.
- Identificação de corpúsculos de Negri pela coloração de Sellers.
- Inoculação intracerebral em camundongo.
As técnicas 1 e 2 são as mais rápidas, pois na inoculação intracerebral os camundongos devem ser observados por 30 dias.
 |
 |
|