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Diagnóstico das Clostridioses
Os materiais para laboratório devem ser coletados em animais agonizantes ou mortos há menos de quatro a seis horas, para evitar a contaminação dos mesmos pelos clostrídeos que invadem o cadáver em putrefação a partir do tubo digestivo. As amostras devem ser acondicionadas individualmente em recipientes fechados e devidamente identificadas, conservadas em gelo e acompanhadas por um laudo de necrópsia.
No laboratório, além do isolamento e identificação das bactérias, é necessário proceder à sua tipificação, a partir de soros específicos, sobretudo com as amostras de Clostridium perfringens. Nas enterotoxemias, a numeração bacteriana do conteúdo intestinal é um elemento fundamental na interpretação dos resultados.
Material para Laboratório
Enterotoxemias
- Intestino delgado com conteúdo (enviar 30 cm de alças intestinais na região do duodeno com as duas extremidades amarradas).
- Fígado (enviar fragmentos com 5 cm x 5 cm).
- Outros órgãos: baço, rim.
- Exsudatos torácico ou abdominal, quando visíveis na necropsia (coletar com seringa descartável estéril, retirar o ar da seringa e fechar a agulha).
Gangrena Gasosa
- Massa muscular com lesões (enviar fragmentos com 5 cm x 5 cm).
- Exsudato da lesão muscular (coletar com seringa descartável estéril, retirar o ar da seringa e fechar a agulha).
- Sangue do coração (coletar com seringa descartável estéril, retirar o ar da seringa e fechar a agulha).
Morte Súbita por Clostrídeos
- Órgãos com lesões - coletar fragmentos e exsudatos.
- Sangue do coração (coletar com seringa descartável estéril, retirar o ar da seringa e fechar a agulha).
- Fígado (enviar fragmentos com 5 cm x 5 cm).
Botulismo
- Conteúdo ruminal (500 g).
- Intestino delgado com conteúdo (enviar 30 cm de alças intestinais com as duas extremidades amarradas).
- Fígado (enviar fragmentos com 5 cm x 5 cm).
Controle das Clostridioses
Nas clostridioses, o tratamento à base de antibióticos com ação sobre os clostrídeos, como as penicilinas e oxitetraciclinas, é muitas vezes ineficaz devido à rapidez com que evoluem algumas destas doenças e principalmente ao papel fundamental das toxinas produzidas pelos clostrídeos na sua patogenia.
Por outro lado, como os clostrídeos são bactérias esporuladas presentes normalmente no solo e tubo digestivo dos animais, torna-se difícil o controle dessas doenças só com medidas higiênicas e sanitárias.
Assim, o controle das clostridioses dos ruminantes em todo o mundo baseia-se no emprego de vacinas.
Em algumas clostridioses, como o botulismo, podem ser utilizadas vacinas específicas. Em outras, a grande variedade de microrganismos envolvidos e a necessidade de confirmação laboratorial para identificação do tipo de clostrídeo responsável levam os veterinários a optar pelo emprego de vacinas polivalentes.
O sucesso de uma boa imunização contra as clostridioses depende não só da escolha de uma vacina eficaz e inócua como também do programa de vacinação implantado no rebanho. Uma das principais falhas observadas no campo é a aplicação de apenas uma única dose nos animais vacinados pela primeira vez. Na primovacinação, a segunda dose é fundamental para obter níveis ótimos de proteção. A proteção dada por uma única dose de vacina é pequena e de curta duração, particularmente em presença de anticorpos maternos. A segunda dose de antígeno vai estimular as células de memória dos animais primovacinados, o que permite obter, rapidamente, uma resposta imunitária maior e de longa duração.
Não se pode esquecer também de revacinar anualmente todo o rebanho com uma dose única. Alguns pecuaristas pensam que as clostridioses atingem apenas animais jovens de seis meses até dois anos de idade, como acontece na maioria dos surtos de carbúnculo sintomático. Não é verdade. As outras clostridioses, como por exemplo as enterotoxemias e a gangrena gasosa, podem provocar prejuízos consideráveis em animais de todas as faixas etárias.
A revacinação é feita normalmente antes do período do ano em que existe maior risco de ocorrer a clostridiose. É o caso do botulismo que, na maior parte das regiões do Brasil, é mais freqüente na época das chuvas; por isso é que a revacinação anual contra botulismo é feita, normalmente, antes da estação das chuvas. No entanto, nas fazendas onde os bovinos recebem suplementação com cama de frango na época seca, o maior risco de botulismo ocorre em outro período do ano e a revacinação anual deve ser feita antes deste período de maior risco.
Quando, na fazenda, a clostridiose atinge principalmente os animais recém-nascidos, como sucede com algumas enterotoxemias, as fêmeas em gestação devem ser revacinadas anualmente com uma dose única 2 a 6 semanas antes do parto.
As características de uma boa vacina polivalente contra as clostridioses são:
- Conter todos os tipos de clostrídeos responsáveis pelas clostridioses dos ruminantes; no Brasil devem ser incluídos os seguintes clostrídeos: Clostridium chauvoei, C. septicum, C. perfringens (B ou C e D), C. sordellii, C. novyi e C. tetani. Nas regiões onde a hemoglobinúria bacilar é enzoótica, a vacina polivalente deve incluir também o Clostridium haemolyticum.
- Ser elaborada com cepas de clostrídeos altamente toxinogênicas, isto é, que produzam grandes quantidades de toxinas.
- As bactérias selecionadas devem ser cultivadas em meios de cultura e condições de fermentação industrial (pH, temperatura, tempo de cultura, etc.) padronizadas.
- As toxinas devem ser inativadas de tal forma que não percam suas qualidades imunogênicas, isto é, a capacidade de estimular o desenvolvimento de anticorpos nos animais vacinados.
- As toxinas inativadas ou toxóides (também chamadas anatoxinas) devem ser concentradas industrialmente para assegurar que todos os animais vacinados recebam os volumes de antígenos necessários para uma proteção adequada.
- Todos os lotes de toxóides devem ser titulados segundo normas de controle internacionais (como a Farmacopéia Européia ou o CFR). Para alguns clostrídeos, esta titulação é expressa em UI (unidades internacionais), comparando o soro dos animais de laboratório vacinados com o título dos soros de referência fornecidos por organizações internacionais. O objetivo é assegurar que os toxóides presentes na vacina protejam contra todas as doenças causadas pelas toxinas dos clostrídeos que entram na sua composição. LOBATO e col. (2000) avaliaram a resposta de antitoxinas beta e épsilon de Clostridium perfringens induzidas em coelhos por seis vacinas comerciais no Brasil e verificaram que apenas duas atendiam as exigências das normas de controle internacionais. BALSAMÃO e col. (2000) também avaliaram a potência para Clostridium sordellii de cinco vacinas comerciais no Brasil e verificaram que apenas duas atendiam as exigências das normas de controle internacionais.
- A eficácia destas vacinas polivalentes deve ser comprovada no campo em regiões com altos desafios e mortalidade elevada por clostridioses.
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