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Doença de Marek

Introdução

Os contínuos avanços em genética, nutrição, manejo, equipamentos, ambiência e sobretudo sanitário permitiram e têm permitido ao segmento avícola posição de destaque no cenário agro-industrial como produtor de proteína animal de excelente qualidade (carne e ovos).
Do ponto de vista sanitário, a introdução na década de 70 da vacinação contra a Doença de Marek (DM) foi um dos marcos históricos para a indústria avícola moderna para o atingimento desta posição. Soma-se o fato de que o uso destas vacinas, tem sido, sem sombra de dúvida, um sucesso na história dos biológicos.

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O vírus da Doença de Marek

O vírus da DM possui o mecanismo de se disseminar na natureza, infecta hospedeiros independentemente da presença de anticorpos maternos ou imunidade vacinal e estabelece infecção latente e persistente.

De acordo com Witter (2000), a vacinação reduz, mas não impede a infecção nem a excreção, a qual favorece a seleção de cepas mutantes e por conseguinte problemas para o controle desta enfermidade.
Adicionalmente, a DM é um problema de difícil solução devido à várias razões:

  • Tanto em as aves vacinadas ou não o vírus da DM permanece viável e persistente durante todo o ciclo de vida;

  • Após a infecção ter chegado ao seu estado produtivo (folículo da pena), o vírus da DM é continuamente eliminado no ambiente através da descamação das células do folículo da pena;

  • Como o vírus está protegido dentro das células descamadas, este tende a permanecer viável por longos períodos de tempo fora do hospedeiro, o qual torna a transmissão mais eficiente, ou seja, o vírus está constantemente presente no ambiente, como também extremamente estável;

Baseado no exposto acima, o mesmo autor enfatiza que existem 3 pontos críticos para o controle da DM:

  • A porta de entrada (trato respiratório)

  • Disseminação de célula para célula

  • A porta de saída (epitélio do folículo da pena)

A vacinação contra a Doença de Marek

No Brasil, a quase totalidade dos frangos criados industrialmente recebem vacinação contra a Doença de Marek (cepa HVT) no 1o dia de vida. No segmento de aves de ciclo longo (poedeiras, matrizes, avós, etc) estas, na sua grande maioria recebem a combinação de vacinas dos sorotipos 1 e 3 (Rispens e HVT, respectivamente).
Em se tratando de vacinação contra a DM, não há evidência de imunodepressão ou interferência com a resposta imune humoral ou celular a outros antígenos causados por cepas vacinais dos sorotipos 1, 2 e 3. Quando da imunização contra a DM, há formação dos anticorpos 1-2 semanas pós-vacinação e estes possuem caráter relevante no processo de resistência à doença. Normalmente, o título de anticorpos maternos decresce após a inoculação de cepas vacinais, evidenciando uma ação de neutralização parcial das partículas virais vacinais, particularmente dos vírus livres de células (vacinas liofilizadas). Na resposta imune celular, esta é dirigida contra os antígenos associados à células tumorais. Há participação também das células responsáveis pela “citotoxicidade in vitro” e aumento das células “naturais killer” (NK) após a administração das vacinas.

Normalmente as vacinas aplicadas contra a DM já induzem viremia a partir de 48 horas pós-vacinação com pico da viremia em uma semana e depois declina a níveis consistentes por longos períodos. Independentemente da boa imunização em pintinhos de um dia, estes estão sob risco, quando colocados num ambiente contaminado. A pergunta que normalmente se faz é: quando existe o contato e que nível de exposição ? e geralmente a resposta é cedo demais e demasiado.
Este cedo demais, traduzido pelo desafio precoce (antes de que a imunidade seja estabelecida) muitas vezes é demonstrada pelos baixos parâmetros produtivos alcançados. A utilização da vacinação in ovo no 19º dia de incubação como forma de imunizar precocemente e mesmo a pressão para imunizar pintinhos de corte com vacinas bivalentes ou mesmo polivalentes, como já acontece em países como Estados Unidos e Japão é uma das consequências deste problema.

Como poderemos intervir ?

É nosso papel fomentarmos cada vez mais Sistemas de Qualidade no Processo de Imunização, em especial com a utilização de check-list nos incubatórios na busca da melhoria contínua dos resultados e por conseguinte incremento nos índices produtivos que se traduzem por retorno financeiro.

Na tabela abaixo, podemos notar a evolução no número de incubatórios, vacinadores e check-list realizados nos últimos 3 anos. A eficiência média observada é baseada no somatório de avaliações, entre elas algumas que estão citadas posteriormente nos pontos críticos do processo de preparação /administração da solução vacinal e refletem efetivamente Qualidade no Processo de Vacinação = pintinhos imunizados. Observa-se que o índice de eficiência do ano de 2000 está um pouco abaixo do de 1999 e é reflexo da introdução deste processo de qualidade em incubatórios (11 no total) que administravam a solução vacinal com vacinadoras manuais, o que inegavelmente requer algum tempo até que se atinja níveis mais satisfatórios.

Ano Nº incubatórios Nº vacinadores Nº check-list Eficiência Média
1998 45 542 157 95,18%
1999* 50 601 249 98,38%
2000* 65 752 330 97,91%
2001* 64 780 402 98,62%
* nos respectivos anos houve um incentivo pelo trabalho desenvolvido pelos vacinadores o que possibilitou melhora significativa nos índices de eficiência.

Além do acima mencionado, listamos abaixo alguns fatores/falhas que podem ocorrer e que comprometem a proteção oferecida pelas vacinas da DM:



  • Existência de cepas muito virulentas plus da DM (vv+DM);
    - se o desafio é muito severo ele pode vencer a imunidade produzida pela vacinação.

  • intervalo entre vacinação e desafio;
    - boa limpeza, desinfecção e intervalo entre criadas retardam à exposição dos pintinhos ao desafio presente no campo.

  • anticorpos maternais homólogos;
    - podem interferir no desenvolvimento da imunidade, conforme tabela abaixo:
Reprodutoras Progênie Resultados
HVT HVT Interferência
HVT Rispens OK
Rispens Rispens OK
HVT + Rispens HVT OK

A interferência acontece principalmente quando HVT é administrada por 2 lotes consecutivos de aves e em especial para vacinas liofilizadas. (De Boer et al., 1996)



  • Programas de vacinação;
    - a utilização da combinação de HVT+SB1 não tem dado boa proteção frente aos desafios com as cepas vv+DM. A adição da cepa Rispens melhora significativamente a proteção frente a estes desafios;

  • Pontos críticos durante o processo de preparação/administração da vacina


Temperatura Perda de Título
Temperatura do banho-maria (1) 27º C Zero
15º C 37%
39º C 25%



Temperatura Perda de Título
Temperatura do diluente 25º- 27º C Zero
2º- 8º C 25%



Tempo (em minutos) Perda de Título
Tempo de descongelamento (2) 05 17%
10 37%
15 57%



Número de vezes Perda de Título
Rinsagem da ampola (3) Pelo menos 2 Zero
Sem rinsagem 14-16%



Tempo Perda de Título
Tempo de consumo da solução vacinal Até 45 minutos Zero
Acima de 2 horas 10%


Uso de antibióticos Alguns modificam osmalaridade e/ou pH afetando PFUs e retardando a viremia



Outros Fatores
  • Respeitar sequencia durante preparação (antibiótico, corante, demais vacinas e vacina de Marek;

  • Calibre da agulha na vacinadora (ideal 25x9);

  • Conexões em “T”nas mangueiras de abastecimento produzem turbulência (ideal no formato “Y”);

  • “Barrigas” nas mangueiras que abastecem as máquinas (sedimentação celular);

  • Presença de bolhas de ar no sistema, levando à subdosagens.

Normalmente, o que pode acontecer é a combinação de alguns fatores comprometendo ainda mais o título vacinal. Soma-se a isto o fato do Brasil trabalhar com fator de diluição da vacina de Marek (para frangos de corte) bastante elevado(em média 1/5) o que inegavelmente pode comprometer a capacidade protetora da vacina aplicada, caso algum dos itens citados acima esteja fora de controle.

obs.: os passos (1), (2) e (3) juntos não devem exceder 90 segundos.

  • Resistência genética das aves;
    - Antes do surgimento das vacinas contra a DM a seleção para resistência genética era um fator de extrema importância. Face ao quadro atual e com os achados de Witter e Bacon sobre a influência do locus B (em especial relacionados ao alelo B21 – histocompatibilidade) como sendo capaz de produzir forte resistência ao desafio com o vírus da DM, torna imprescindível que as empresas de genética procurem cada vez mais aves com estas características;

  • Doenças intercorrentes;
    - É sabido que determinadas enfermidades imunosupressoras (Gumboro, Anemia, Infecciosa e outras) podem causar distúrbios no sistema imune através da destruição de linfócitos e modificações nos níveis de citocinas. Estes fatores inegavelmente podem comprometer a proteção oferecida pelas vacinas de Marek .

Considerações Importantes

os de doenças neoplásicas em aves, em especial DM, existem 2 efeitos muito importantes que vêm a nossa mente:

  • mortalidade associada com a presença de tumores em poedeiras e reprodutoras;

  • altas condenações em frangos devido ao desenvolvimento de tumores em algumas vísceras e na pele;

Estes achados são relativamente fáceis de serem analisados (quantificação de aves mortas com tumores e frangos condenados com alterações neoplásicas na pele e vísceras). No entanto, é bastante difícil determinar o verdadeiro impacto das perdas econômicas induzidas pela DM. Fica claro, que a DM não necessita ser expressada clinicamente para ser causa de perdas econômicas. Estes achados (tumores) são apenas a ponta do “iceberg”.

Além disso, revisões periódicas da história da DM demonstram que vírus de virulência aumentada têm surgido a cada 10 anos e o uso de vacinas mais potentes não têm evitado o aparecimento de cepas vv+DM. As áreas avícolas onde estas cepas apareceram resolveram pela utilização de vacinas combinadas contra a DM (sorotipo 1 e 2, ou até o sorotipo 3) para a vacinação de frangos de corte. Se analisarmos os índices de condenações destas áreas, na grande maioria das vezes, estes ainda continuam bastante elevados. Isto demonstra claramente que muitas vezes não adianta apenas mudarmos o sorotipo vacinal empregado para melhorarmos a situação.

Como agravante e como alerta, a pressão econômica e a alta competição experimentada pela indústria avícola, a qual tem promovido o desenvolvimento indesejável de situações que promovem maior concentrações de vírus no campo (diluição de vacina, medidas sanitárias deficientes, múltiplas idades, altas densidades e outros fatores que claramente têm facilitado a expressão e evolução da DM no campo) se traduzem por correlação direta nos níveis de condenação ou problemas de performance. Os dados históricos da evolução da DM não mentem. Cada vez mais, estamos criando situações que favorecem o vírus em detrimento da produtividade da ave.

Cabe pois, à indústria avícola, definir aonde está e para onde quer ir...

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